Precisamos falar sobre limite de dados em internet fixa

Abril 23, 2016
Foto: Reprodução/Google.

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Nas últimas semanas uma polêmica à respeito da implantação de limite de dados em internet fixa no Brasil tem tomado boa parte dos veículos digitais de grande circulação e das redes sociais. Todo esse burburinho, que se faz extremamente necessário (entendam o porquê mais adiante), por causa do anúncio das principais empresas que oferecem serviços de telefonia e internet no Brasil, principalmente a Vivo (que comprou recentemente a GVT), a NET e a Oi, sobre a futura adesão de limite de dados em internet fixa. Não captaram? Então serei mais direto! Basicamente é o seguinte: Como se já não bastasse termos que nos restringir quanto ao uso de internet em nossos aparelhos móveis, como celulares e tablets, já que quando atingimos o limite de dados pré-estabelecido, a nossa rede tem a velocidade reduzida vertiginosamente ou até mesmo é cortada por completo, que é o que acontece na maioria dos casos, a ideia por trás dessas grandes empresas citadas anteriormente é tornar essa restrição real também na internet fixa, a de nossas casas, passando à cobrar o serviço por franquia e não mais por velocidade.

O problema é que os pacotes à serem oferecidos por tais empresas serão extremamente abusivos e absurdos, pois além de estarem oferecendo pacotes que possuem entre 10 e 130GB (gigabyte) por mês, que honestamente não dão pra praticamente nada e se tornam ridículos ao se pensar que em uma casa de família obviamente não se mora apenas uma pessoa, e sim geralmente 4, e que essas 4 podem estar conectadas com seus notebooks, celulares e tablets em uma mesma rede, as mesmas empresas ainda não oferecerão aos seus clientes a possibilidade de se ter uma internet com franquia de dados ilimitados, mesmo que pagando mais caro por isso – ou pelo menos ainda não anunciou esse tipo de pacote, sendo o mais próximo disso a opção de se ter 130GB por mês, plano oferecido pela Vivo, o que pode ser quase nada tendo em vista a quantidade de pessoas e suas necessidades.

A principal justificativa (desculpa, melhor dizendo) dessas empresas para aderir à essa nova forma de cobrança é a de que pessoas pertencentes às classes C e D estão pagando caro demais por um serviço que não utilizam tanto, o que segundo eles pode ser comprovado por uma média de cunho dos próprios. Beleza, mas e aquelas pessoas que usam mais, mais inclusive do que o pacote máximo que eles têm à oferecer, serão obrigadas à pagar preços insanos pelo serviço? Empresas como Vivo, NET e Oi, em suas notas de esclarecimento sobre o caso, usaram do argumento de que a cobrança de internet por franquia já é uma tendência mundial, o que não deixa de ser verdade, mas lá fora, na maioria dos países, há a possibilidade de se pagar para ter uma franquia de dados ilimitados, há preços justos e, de quebra, ainda há um serviço de velocidade e de atendimento infinitamente melhores se comparados aos do Brasil.

Acredita-se ainda que tudo isso possa ser um golpe orquestrado pelos principais responsáveis dos canais televisivos brasileiros, que a cada dia que passa tem perdido mais e mais telespectadores para formatos menos engessados, como o YouTube e o Netflix, que inclusive podem se tornar os mais restritos caso essa mudança vá adiante mesmo, já que são um tanto pesados e consomem bastante GBs. Ao que tudo indica, representantes desses canais de TV viram na implantação de limite de dados em internet fixa a grande oportunidade para terem seus telespectadores de volta, gerando assim mais dinheiro à suas empresas. E provavelmente também seduzidas pelo dinheiro, as grandes empresas de telefonia e internet decidiram compactuar com isso, gerando grande revolta entre seus clientes.

João Batista de Rezende, presidente da Anatel, órgão regulador das Telecomunicações no Brasil, jogou um balde de água fria em quem pensou que o órgão tomaria alguma providência contra a mudança, pelo contrário aliás, eles a aprovaram. Portanto, a única solução para que essa mudança não vá além é que o senado interfira nisso, e já houve declaração por parte dos mesmos afirmando reconhecer o problema e prometendo uma maior apuração. Caso não interfiram no caso ou não vejam problema algum nisso, a mudança será posta em prática a partir de 1º de janeiro de 2017.

Acho o que está acontecendo extremamente ridículo e desnecessário. Obviamente penso em mim e em todas aquelas pessoas que terão de ser comedidas com o YouTube e o Netflix, mas há casos mais graves à se pensar. E aquelas pessoas que dependem da internet pra trabalhar, que produzem conteúdo, que são universitárias através de ensino à distância, que fazem cursos online, ou mesmo que tenham o hábito de conversar diariamente no Skype com algum familiar ou amigo que está do outro lado do mundo? Terão que pagar preços demasiadamente incoerentes por isso? E outra, não temos mais liberdade para assistirmos ao que quisermos, o conteúdo que quisermos e no formato que quisermos? Isso é ridículo! E inaceitável! Portanto me juntei aos YouTubers e criadores de conteúdo que criaram e estão dando movimento à campanha #InternetJusta e decidi falar um pouco sobre o tema aqui no blog. Clicando aqui vocês encontram uma matéria sobre o tema do portal Olhar Digital, que esclareceu bastante coisa sobre o assunto pra mim, e abaixo estão 3 vídeos super coerentes e inteligentes que encontrei no YouTube sobre a mesma temática, vale à pena assistir:

 

E aí, o que acharam do post e dos vídeos que indiquei? E qual é a opinião de vocês sobre o limite de dados em internet fixa? Me contem nos comentários, quem sabe não possamos fazer um grande debate sobre o assunto? 😉

 

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