Aviõezinhos de cima

outubro 18, 2017

Talvez você não saiba, mas… eu estou apaixonado por você! Eu bem que tentei me forçar a acreditar no contrário ao longo dos últimos dias, mas cheguei a essa conclusão involuntariamente e é a primeira vez que a assumo para mim mesmo. Não há como não ser paixão, forte e intenso demais para ser simplesmente ” gostar ”, pouco construído e recente demais para ser amor.

Eu não faço a menor ideia de onde eu quero chegar com este texto, nem ao menos sei se ele realmente chegará a ser publicado aqui ou em qualquer outro lugar. Porém, sei muito bem o motivo de estar aqui sentado de frente para o notebook às quinze para as três da manhã de uma terça-feira: eu precisava escrever sobre isso, passar para o papel (ou para a tela do computador) o que está no coração, para entender e organizar tudo aquilo que venho sentindo e, quem sabe, tirar do peito um pouco de toda esta carga emocional que vem me sobrecarregando. E sei mais ainda que, acima de qualquer pessoa que possa estar lendo este blog, amigo que eu possa ter mandado o link ou mesmo de mim, esse texto é para você – mesmo na incerteza de um dia você ler isso.

Sabe aquelas polaroids que tirei de você no fim de semana retrasado, quando esteve aqui? Então, elas estão bem aqui do meu lado e eu simplesmente não consigo parar de olhar para elas enquanto te escrevo. Para ser sincero, eu já perdi a conta de quantas vezes repeti esse mesmo ato desde que elas foram tiradas. E toda vez que olho eu me pego lembrando do quão envergonhado você estava para tirá-las, provavelmente por estar sendo por um momento o centro das atenções, não sei (insira aqui um sorriso bobo tomando conta do meu rosto). É inevitável, ao bater o olho, pensar no quão louco é eu ter visto você no Rock in Rio, no meio de milhares de outras pessoas, pela primeira vez na vida, depois de meses a fio de diálogos esporádicos e tentativas frustradas de um encontro. Mais louco ainda é pensar em tudo o que aconteceu logo em seguida, ou em tudo o que vem acontecendo… Tipo, qual a probabilidade??? Eu não sei se acredito nessa coisa de destino, talvez eu seja mais adepto à ideia de que nós criamos o nosso próprio, mas de uma coisa eu tenho certeza: era mesmo para eu ter te visto ali, eu precisava mesmo estar vivendo tudo isso.

Embora já tenha tentado, eu juro que não entendo ao certo o motivo de você mexer tanto comigo, e eu tenho cada vez mais certeza disso. Não tem fórmula mágica, simplesmente acontece, e está acontecendo… Eu nunca havia ficado tão nervoso e com o coração tão acelerado antes de ir ao encontro de alguém como fiquei às vésperas de ir ao seu (quase já era possível vê-lo sair pela boca, sério!), em nosso primeiro encontro marcado de fato. Apesar da falta de paciência e desânimo intermitentes e de certa vez ter chegado ao meu limite, nunca antes eu tinha insistido em alguém por tanto tempo como fiz com você. Nunca senti a necessidade de falar com alguém o dia inteiro se fosse possível como sinto com você, nem que só para saber se está tudo bem ou como foi seu dia. Não há registro no histórico isso de falar de alguém com tanta propriedade, orgulho e brilho nos olhos como falo de você para as outras pessoas. Eu nunca antes quis que as pessoas de fora desejassem tanto que eu desse certo com alguém como quero que aconteça com a gente. É, pois é, você mexe muito comigo…

Não que se façam necessárias justificativas, longe disso, mas para além dos ” eu nunca ” que você me proporciona, você mexer muito comigo também pode ser justificável pelas pequenas coisas, gestos, que raramente passam despercebidos por mim e que carregam consigo tanto significado. Vira e mexe me pego lembrando de você subindo pela escada rolante do metrô e vindo me cumprimentar com aquela sua carinha de quem não quer nada. Ou de você todo bobo me mostrando a sua SUPER aquisição daquele dia, uma miniatura do Fuleco de dois reais, risos. É com o coração quentinho que lembro de você acordando do meu lado num sábado à tarde, repetindo para eu acordar e me abraçando logo depois. O cheiro do seu perfume, forte e leve ao mesmo tempo, já se esvaiu daquela almofadinha azul que fica na minha cama que você gostou, mas se eu fechar bem os olhos e imaginar ainda dá para sentir. ” Não posso revelar ”, foi o que você respondeu quando eu perguntei que fragrância era aquela, completando logo em seguida que chamava Men, ou algo assim. Toda vez que eu olhar para aqueles dois murais de fotos de mapa-múndi pregados na parede do meu quarto, não importa o rumo que as coisas tomem, eu sempre vou lembrar de você usando os ímãs de aviõezinhos para mapear os lugares que você sonha visitar um dia (Paris tem sua prioridade). ” Pode deixar que quando eu voltar eu arrumo os aviõezinhos de cima, tá? ” – foi exatamente assim a promessa de volta que você sussurrou no pé do meu ouvido pouco antes de ir embora, e que faz eu me derreter todo só de lembrar…

Nós dois somos donos de uma coletânea de diferenças, não dá para negar. Você é mais racional, eu sou todo emoção. Você faz a linha ” belo, recatado e do lar ”, já eu curto mais a rua. Você não é tão ligado em redes sociais, eu estou o tempo todo nelas. A sua diva do pop favorita é a Lady Gaga, a minha é a Demi Lovato. Você é um grande amante de k-pop, eu detesto. Lana Del Rey é o seu Deus, para mim ela morreu e esqueceram de enterrar, sorry not sorry. Um é pisciano, o outro virginiano,…… Mas, ahhh, quer saber de uma coisa? Eu seria o cara mais realizado do mundo ao conhecer mais mil e uma diferenças entre a gente (e mais outras mil e uma semelhanças) se fosse para caminhar de mãos dadas contigo. Foram tão poucos os momentos que já tivemos juntos, mas ao mesmo tempo suficientes para eu concluir que trocaria qualquer rolê para passar uma noite inteirinha fazendo cafuné no seu cabelo (um dia você ainda há de deixar eu passar shampoo e condicionador nele, viu?), assistindo aos incontáveis clipes de grupos femininos de k-pop que você tivesse para me mostrar, mesmo sabendo que eu não conseguiria distinguir rostos porque acho todos muito iguais e ouvindo você traçar detalhadas anamneses de pessoas aleatórias.

Eu bem que gostaria de dizer todas essas coisas para você diretamente, não o faço por medo de você me achar precipitado demais. E o pior é que sou mesmo, confesso. Todos para quem eu decido compartilhar essa história dizem para eu respirar, manter a calma e deixar as coisas fluírem naturalmente, mas como ser calmaria se por dentro eu transbordo adrenalina? É… fazia tempo que eu não gostava tão intensamente de alguém assim… E não quero também que você sinta o peso de todas as expectativas que estou depositando em você. Nós não sabemos de absolutamente nada em relação ao que o futuro reserva para a gente, não sabemos nem mesmo quando será o nosso próximo encontro (por mim, seria amanhã mesmo!!!). O que eu sei é apenas uma coisa…: eu estou te esperando aqui para arrumar os aviõezinhos de cima, está bem?

Papo de Matheus • todos os direitos reservados © 2018 • powered by WordPress • Desenvolvido por