Tudo sobre a minha cirurgia de remoção dos sisos

maio 12, 2016
Foto: Reprodução/Pixabay.

Foto: Reprodução/Pixabay.

Como prometido no post do Resumo mensal de abril (que vocês podem conferir clicando aqui), no qual falei sobre o assunto mais superficialmente, neste post contarei com detalhes como se deu todo o processo da minha cirurgia de remoção dos sisos, desde a solicitação da retirada deles pela minha ortodontista até o pós-operatório.

Primeiramente, precisamos esclarecer o que vem a ser os dentes sisos, já que muita gente tem um conhecimento bastante deturpado a respeito deles, inclusive eu, que no passado não sabia ao certo o motivo desses dentes nascerem tão tarde e de, em grande parte dos casos, precisarem ser removidos. Então vamos lá… De acordo com o Centro de Cuidado Bucal da marca Colgate, os dentes do siso são os últimos molares de cada lado dos maxilares. São também os últimos dentes a nascer, geralmente entre os 16 e 20 anos de idade. Como os dentes do siso são os últimos dentes permanentes a aparecer, geralmente não há espaço suficiente em sua boca para acomodá-los. Isto pode fazer com que os dentes do siso fiquem inclusos – dentes presos embaixo do tecido gengival por outros dentes ou osso, ou podendo causar inchaço ou dor. Os dentes do siso que erupcionam apenas parcialmente ou nascem mal posicionados também podem causar apinhamento – posicionamento desfavorável dos dentes na arcada dentária, ocasionando problemas na higiene, estética, fala, etc – e outros problemas. Como os dentes antes dos 20 anos de idade têm raízes em menor estágio de desenvolvimento, causam menos complicações ao serem removidos. Por isso, recomenda-se que as pessoas entre 16 e 19 anos tenham seus dentes do siso examinados para verificar se precisam ser extraídos.

A minha ortodontista, que desde 2010 vem cuidando da parte estética dos meus dentes, através do uso de aparelhos e contenções ortodônticas, já havia me alertado sobre a necessidade de remoção dos meus sisos há bastante tempo atrás. Segundo ela, o procedimento de extração deveria ser feito porque a minha arcada dentária não comportaria todos os sisos com folga e, inclusive, eles, que já se encontravam inclusos, estavam apertando e pressionando os meus outros dentes, o que contribuiu para que os meus dentes incisivos centrais inferiores ficassem tortos e trepados um no outro. Porém, mesmo com os dois sisos superiores já erupcionados parcialmente, nunca senti nenhuma espécie de dor ou incômodo por conta desses dentes, acabei postergando esse procedimento que, mais cedo ou mais tarde, teria de acontecer.

Como os meus dentes incisivos centrais inferiores já estão bastante tortos e trepados um no outro e como remover os sisos é muito mais complicado na fase adulta do que na adolescência, eu e minha mãe decidimos não levar mais isso adiante e finalmente marcamos a cirurgia (é pra glorificar de pé, igreja!). O procedimento havia sido marcado para meados desse mês de maio, mas como minha mãe já sabia que ela e meu padrasto estariam na Colômbia à passeio nessa época e queria estar em casa pra cuidar de mim durante o pós-operatório, solicitou que a cirurgia fosse antecipada e a mesma foi realizada no final do mês passado, mais precisamente no dia 28 (uma quinta-feira), em uma clínica localizada no centro de Salvador especializada nesse tipo de procedimento.

Antes do dia da cirurgia em si, estive na clínica uma vez, mais ou menos uma semana antes do procedimento, com o intuito de conhecer o profissional, saber mais sobre os detalhes da cirurgia e ter os meus sisos examinados. Durante a conversa com o médico e minha mãe ficou claro que a minha opção era extrair os 4 sisos de uma única vez e fazer isso submetido à anestesia local. Decidi extrair os 4 sisos de uma única vez porque não achei que valesse à pena passar pelo mesmo procedimento de cirurgia e de pós-operatório mais de uma vez e também decidi pela anestesia local ao invés da geral porque eu não tinha problemas em ficar acordado durante a cirurgia, eu só não queria sentir dores fortes mesmo. Tudo foi dialogado com o médico, pelo qual sentimos bastante confiança, até porque foi o mesmo médico que fez esse mesmo procedimento com a minha irmã alguns anos atrás e deu tudo certo na época. Com tudo devidamente acordado, retornamos à clínica na semana seguinte, dessa vez para já de fato realizar a cirurgia.

Antes de realizar o procedimento, é recomendado que o paciente tenha tido uma boa noite de sono e tenha almoçado alimentos leves e em pouca quantidade, que foi basicamente o que eu fiz. Também se faz necessário que essa pessoa esteja acompanhada de alguém, principalmente por causa do remédio para dormir que é dado antes do início do procedimento, então minha mãe e meu padrasto me acompanharam até a clínica. Fomos direto da faculdade e do restaurante pra lá. A cirurgia estava marcada para 14h da tarde, mas era preciso estar lá com 40 minutos de antecedência, então chegamos lá antes até, mais ou menos 13h. Por volta de 13h30, me foi dado o remédio para dormir, que cada organismo recebe de uma forma, mas no meu caso não funcionou muito de imediato, não, viu? Eu fiquei acordado e consciente durante toda a cirurgia, só fui apagar mesmo umas meia hora após o término do procedimento. E mais cedo, na hora do almoço, eu já havia tomado o anti-inflamatório. São esses dois medicamentos que precisam ser tomados no pré-operatório.

Por volta de 14h20, a cirurgia finalmente começou! Após me acomodar no assento do médico, as duas assistentes dele me instruíram sobre algumas coisas e passaram nas quatro extremidades da minha boca, na região dos sisos, uma espécie de gel, que segundo elas era anestesia utópica. E realmente era, pois logo depois comecei a sentir minhas bochechas formigando, rs, então fez logo efeito. Fui Alice ao extremo ao achar que, por conta da cirurgia utópica, não seria furado por agulhas com a anestesia normal, que nada, em cada um dos 4 cantos da boca, na região dos sisos, foram cerca de 6 ou 7 agulhadas, uma seguida da outra, o que não doeu, apenas incomodou, por conta do efeito da anestesia utópica. Foi o próprio médico quem as aplicou. Felizmente não o senti abrindo as 4 extremidades da minha boca e muito menos extraindo os sisos em si, mas obviamente senti toda a manipulação do procedimento. Os dois sisos superiores, que já estavam erupcionados parcialmente há um bom tempo, foram removidos com bastante facilidade, tanto que nem me dei conta de que já haviam sido tirados, já quanto aos dois sisos inferiores infelizmente não posso dizer a mesma coisa. Por conta de ainda estarem inclusos e praticamente deitados (reflexo do sono constante que o dono deles, no caso eu, sente praticamente o dia inteiro, rs), foi bastante difícil para conseguir removê-los e, nessa parte do procedimento, não teve efeito de anestesia certo, senti uma dor extrema, como se o médico estivesse cavando o meu dente mesmo. E, no finalzinho de tudo, ainda fiquei com a respiração pela boca um tanto obstruída, provavelmente por causa de algum objeto que o médico ou as assistentes colocaram na minha boca, então involuntariamente tossi bem forte duas vezes, o que me deixou bastante tenso, achando que pudesse ter engolido algum objeto ou até mesmo algum dente, mas o médico me acalmou e disse que estava tudo bem. Depois, voltei para a sala de espera, onde estavam meu padrasto e mais alguns pacientes, e fiquei lá, acordado e consciente, esperando minha mãe chegar, mas mais ou menos meia hora depois apaguei totalmente, tanto que não lembro de absolutamente nada do caminho da clínica até o carro e do carro até chegar em casa, tampouco de minha mãe me colocando pra dormir.

A cirurgia, que ao meu ver foi muito mais agressiva e desgastante do que eu imaginava, mas em compensação extremamente rápida (o médico conseguiu extrair meus 4 sisos em 20 minutos, pasmem!), teve uma recuperação bastante tranquila e rápida. Durante as 24 horas após a cirurgia, passei praticamente o tempo inteiro deitado na cama, com a cabeça em um nível mais alto do que o resto do corpo, sem fazer esforço, sem falar muito, só ingerindo líquido e alimentos como sorvete e geleia de mocotó (amo! <3) e tomando os remédios de dor. Nos dias a seguir, já ganhei um pouco mais de liberdade. Já pude passar a ingerir alimentos pastosos, como sopa, e não precisava mais ficar deitado ou sentado o dia inteiro. Também se fazia necessário continuar higienizando os dentes, com pelo menos uma escovação por dia, inclusive na região dos sisos, mas de forma branda para que não interferisse nos pontos. Após a escovação, também era recomendado fazer um bochecho fraco com um produto especial, chamado Periotrat, que sempre dava uma sensação ótima de frescor, rs. Felizmente não senti dor ou incômodo em momento algum durante o pós-operatório, só bem depois que vieram a surgir dois pequenos machucados, duas bolinhas em alto-relevo, cuja sensação era a mesma de uma afta, o que incomodava bastante, principalmente nas refeições, mas aos poucos foi melhorando.

Exatamente uma semana após a cirurgia, retornei à clínica com a finalidade de remover os pontos, o que foi feito com sucesso, já que, segundo o próprio médico, eles já estavam bem soltos e saindo praticamente sozinhos, o que é bom. Diferentemente do que eu pensava, tirar os pontos não doeu, só incomodou um pouco. Desde então, desde um pouco antes de tirar os pontos inclusive, já tenho mastigado alimentos que eu costumava consumir antes normalmente e sigo não sentindo dores ou incômodos. A única coisa estranha é passar a língua pela região dos sisos, principalmente os superiores, e sentir buracos, como se estivesse banguelo, rs! Então é isso, cirurgia de remoção dos sisos feita! Menos um problema com que eu precise me preocupar! 0/

 

E aí, o que vocês acharam da minha experiência com remoção dos sisos? Imaginavam que o processo fosse esse mesmo que eu descrevi acima, ou que fosse algo diferente? Como? Já passaram por isso? Quero saber de tudo nos comentários! Sintam-se à vontade pra me contar! Beijos! 😉



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